Şirakavan: ruínas da capital arménia dos Bagratidas, nas margens do rio Akhuryan
Na margem direita do rio Akhuryan (em turco, Arpaçay), a poucos quilómetros da atual fronteira entre a Arménia e a Turquia, encontram-se as ruínas de Şirakavan — uma antiga cidade arménia que, entre 890 e 929, serviu de capital ao reino dos Bagratidas. O nome turco do local é Yerazgavors; corresponde à atual aldeia de Çetindurak, no distrito de Akyaka, na província de Kars. Hoje, da cidade restam apenas as fundações da fortaleza e fragmentos da igreja de Surp Prkich (Santo Salvador) — mas a importância histórica do local é enorme: foi precisamente aqui, em 890, que o catolicós Gevorg II coroou o rei Smbat I, dando início à era dourada da soberania arménia.
História
O povoado surgiu no século VII com o nome de Yerazgavors; o historiador arménio Sebeos referiu-se a ele como «aldeia no cantão de Shirak, na província de Ayrarat, na Grande Arménia». No século IX, o rei Smbat I, da dinastia dos Bagratidas, transformou o povoado numa grande cidade e, em 890, transferiu para cá a capital do reino, renomeando o local para Şirakavan. Pouco tempo depois, Smbat foi coroado aqui pelo catolicós Gevorg II — este acontecimento está registado nas crónicas arménias como uma data crucial para a restauração da soberania arménia após um longo domínio árabe.
Şirakavan permaneceu como capital até 929, quando o rei Abas I transferiu a capital para Kars (para onde mais tarde se deslocou também o centro do poder, e posteriormente para a mais famosa Ani). No entanto, a cidade não perdeu a sua importância: nos séculos X–XI, a vida urbana continuou ativa, com oficinas de artesanato, casa da moeda e mercados em funcionamento.
Nos séculos XI–XII, Şirakavan possuía uma fortaleza central, rodeada por poderosas muralhas defensivas. Em 1064, a cidade foi destruída pelas tropas seljúcidas do sultão Alp Arslan — a mesma campanha que resultou na captura e destruição de Ani. Mais tarde, Şirakavan foi parcialmente reconstruída pelos príncipes arménios Zakaryan, mas já não recuperou a importância de outrora. No início do século XX, era já uma simples aldeia com cerca de 1220 habitantes; em 1920, a população abandonou o local e, em 1954, a igreja de Surp Prkich foi parcialmente destruída durante exercícios militares turcos. A construção de uma barragem inundou parte das zonas arqueológicas remanescentes.
Arquitetura e o que ver
Igreja de Surp Prkich (Santo Salvador)
O principal monumento de Şirakavan é a igreja de Surp Prkich, construída na década de 880. Tratava-se de uma construção em forma de cruz com cúpula, com abside central, quatro pilares e cúpula em forma de vela. Foi precisamente aqui que, em 890, Sambat I foi coroado. Até 1954, parte das paredes e da cúpula mantiveram-se intactas; após exercícios militares e a subsequente destruição, restaram do templo fragmentos das fundações e das partes inferiores das paredes. Conservam-se fotografias antigas de Toros Toramanyan, de 1908, que permitem imaginar a aparência original.
Fortaleza e muralhas defensivas
Nos séculos XI–XII, Şirakavan possuía uma fortaleza central, rodeada por grossas muralhas defensivas. Hoje, restam apenas ruínas de pedra, pelas quais é possível traçar os contornos das fortificações. Trata-se de um sistema típico da arquitetura militar arménia: uma cidadela no centro, muralhas exteriores ao longo do perímetro e torres em pontos estratégicos.
Construções residenciais e edifícios agrícolas
Os vestígios arqueológicos revelam uma densa urbanização, típica das cidades arménias dos séculos IX a XI: casas de pedra, ruas pavimentadas, rede de abastecimento de água. A maior parte destes vestígios é hoje pouco visível — quase tudo está submerso ou oculto pelo solo.
Contexto: paisagem da zona fronteiriça
O próprio local é significativo pela sua localização — na margem direita do Akhuryan, o rio que marca a fronteira atual entre a Turquia e a Arménia. A partir do território das ruínas, avista-se o lado arménio oposto; em dias claros — o Monte Aragats e a silhueta de Echmiadzin ao longe. Isto cria um ambiente especial: as ruínas olham diretamente para a Arménia contemporânea.
Factos interessantes
- Em 890, realizou-se em Şirakavan a coroação de Smbat I — um acontecimento que restaurou o reino arménio após séculos de domínio árabe. Este ato é considerado uma das datas-chave da história arménia.
- Şirakavan foi capital durante apenas 39 anos (890–929), mas, durante esse tempo, lançou as bases do período bagratida, que mais tarde deu origem a Ani — a «cidade das mil e uma igrejas».
- O historiador arménio Toros Toramanyan tirou, em 1908, uma série de fotografias de Surp Prkich — esta é a principal fonte visual sobre a arquitetura da igreja.
- A cidade foi destruída pela mesma campanha seljúcida de Alp Arslan em 1064 que a mais famosa Ani — as duas cidades irmãs pereceram quase simultaneamente.
- Em 1954, exercícios militares turcos destruíram os restos da igreja de Surp Prkich; mais tarde, a construção de uma barragem inundou parte da zona arqueológica.
Como chegar
Şirakavan fica perto da aldeia de Çetindurak, no distrito de Akyaka, província de Kars, na margem direita do rio Akhuryan/Arpaçay. A partir da cidade de Kars — cerca de 35 km a sudeste, cerca de 45 minutos de carro. O aeroporto mais próximo é o de Kars Harakani (KSY), a 30 km. Coordenadas: 40,7157°N, 43,7219°E.
Os transportes públicos para Çetindurak são limitados: existem apenas alguns miniautocarros a partir de Kars ou Akyaka. O mais conveniente é alugar um carro ou apanhar um táxi de Kars com regresso; combine a hora.
Tenha em atenção: o local situa-se na zona fronteiriça com a Arménia. Para visitar o local, poderá ser necessária uma autorização das forças armadas ou da gendarmeria — verifique junto das autoridades locais antes da viagem. A estrada até às ruínas é, na sua maioria, de terra batida.
Dicas para o viajante
A melhor época é o final da primavera, o verão e o início do outono. No inverno, a região de Kars fica coberta de neve e faz muito frio. Trata-se de um monumento «selvagem», sem infraestruturas: sem placas, sem vedações, sem bilheteira. Leve consigo água, um lanche, um casaco quente (no planalto pode fazer frio mesmo no verão) e calçado confortável.
Aborde a visita com tacto: a questão arménia na Anatólia Oriental é sensível, e estar na zona fronteiriça exige um cuidado redobrado. Não faça declarações em voz alta na presença dos locais, não fotografe instalações militares nem infraestruturas fronteiriças. Se aparecerem gendarmes nas proximidades, explique calmamente que é um turista a visitar um monumento arqueológico.
É permitido fotografar as próprias ruínas e a paisagem. A melhor altura é de manhã ou perto do pôr-do-sol: a luz oblíqua realça bem a textura da pedra e a amplitude geral da paisagem. É lógico combinar a visita com uma viagem a Kars (fortaleza, igreja arménia dos Doze Apóstolos, atualmente mesquita Kümbet Camii) e a Ani — a cidade em ruínas arménia mais famosa desta região, a apenas 50 km. Juntas, Ani e Şirakavan oferecem uma visão completa da era bagratida e do seu trágico desfecho no século XI.